A maioria dos filmes indicados ao Prêmio Platino Xcaret, principal premiação do cinema ibero-americano, tem direção e protagonismo feminino. A lista final inclui 30 filmes e 19 séries de 14 países, com sete produções brasileiras. A cerimônia de entrega será em 9 de maio em Cancún, no México.

Na categoria de melhor filme concorrem Ainda é noite em Caracas, das venezuelanas Marité Ugás e Mariana Rondon; Belén, da argentina Dolores Fonzi; Os Domingos, da espanhola Alauda Ruiz de Azúa; O Agente Secreto, do brasileiro Kleber Mendonça Filho; e Sirât, do espanhol Oliver Laxe.

O Agente Secreto recebeu oito indicações. Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a presença feminina reflete avanços no setor, embora ainda existam desigualdades em áreas técnicas como montagem, fotografia e trilha sonora.

A diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, afirmou que o avanço é positivo. Ela destacou que as três diretoras indicadas têm experiência consolidada e que mulheres à frente das filmagens trazem abordagens mais complexas e sets mais equilibrados.

A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marina Tedesco, atribuiu o destaque a movimentos sociais feministas e de diversidade. Segundo ela, esses movimentos facilitam a produção de obras que representam experiências antes sub-representadas, o que aumenta o apelo comercial dos filmes.

Para o crítico e professor Juliano Gomes, da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), investimentos em pequenas e médias produtoras são necessários para sustentar a transformação. Ele disse que isso beneficia todos os grupos sociais, incluindo negros, indígenas e LGBTQIA+.

Belén é inspirado em um caso real de uma jovem presa após um aborto espontâneo. O filme reacendeu debates sobre direitos das mulheres e o sistema de Justiça. A produção recebeu 11 indicações, incluindo melhor atriz e diretora para Dolores Fonzi.

Os Domingos trata do despertar religioso de uma adolescente no País Basco e dos conflitos familiares. Ainda é noite em Caracas é um suspense sobre uma mulher sozinha durante protestos na Venezuela em 2017. O Agente Secreto já foi premiado internacionalmente, e Sirât venceu em Cannes em 2025.

Marcelo Costa