No Brasil, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador começou a ser celebrado no início do século 20. O feriado só foi oficializado por um decreto assinado pelo presidente Artur Bernardes em 1924. A data ganhou novo significado em 1943, quando Getúlio Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo o salário mínimo e as férias.
Uma tradição que acompanha a classe trabalhadora há séculos é a cerveja. A história da bebida está ligada ao trabalho desde a Antiguidade. Na Mesopotâmia, há registros de que operários recebiam cerveja como parte do pagamento. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., no Museu Britânico, funciona como um holerite ancestral, anotando as rações distribuídas aos trabalhadores na cidade de Uruk. No Egito Antigo, a prática também era comum e há quem diga que até as pirâmides foram construídas com o apoio da bebida, que servia para hidratação e nutrição.
Na Bélgica, o estilo Saison foi criado por fazendeiros para os trabalhadores temporários. A cerveja era produzida no outono e inverno para ser consumida no verão. Phil Markowski, mestre cervejeiro, explica que a Saison era uma “cerveja de provisão”: refrescava os trabalhadores, mantinha a mão de obra ocupada no inverno e gerava bagaço para alimentar o gado.
Outro estilo belga, a Grisette, era apreciado por mineradores. Criada no sul da Bélgica durante a industrialização, era uma cerveja leve e refrescante, pensada para recuperar as energias após um dia exaustivo nas minas de carvão. O nome significa “a pequena cinzenta”, talvez em referência à aparência turva da bebida ou aos próprios trabalhadores cobertos de cinzas.
Na Inglaterra, a Porter foi a grande cerveja da Revolução Industrial. Batizada com o nome dos estivadores do porto de Londres, tornou-se sustento da nova massa de operários. O jornalista Martin Cornell a chamou de “primeira cerveja rockstar do mundo”. A Porter era uma das primeiras cervejas escuras e ganhou versões mais potentes, como a Stout.
As Bitters e as German Lagers também marcaram a história dos movimentos trabalhistas. Na Inglaterra do século 19, os pubs eram locais de encontro para trabalhadores que reivindicavam melhores condições. Nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve em Chicago exigindo jornada de oito horas. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket, com bomba, repressão e execução de líderes. Em 1889, a data de 1º de maio foi instituída como símbolo da luta trabalhista.
