Quase metade dos brasileiros que fazem apostas em bets e cassinos online afirma usar a prática para conseguir renda extra e ajudar a pagar contas. É o que aponta uma pesquisa do Datafolha.
O estudo ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre todos os entrevistados, 10% disseram ter o costume de apostar. Desse total, 2% apostam com alta frequência, 4% às vezes e 4% raramente.
Do total de pessoas ouvidas, 5% afirmam que já apostaram para obter uma renda extra para pagar contas. Outros 1% diz que já usou o dinheiro que seria para pagar as contas do mês para fazer apostas.
Os apostadores são mais comuns entre os homens (14%) do que entre as mulheres (7%). O perfil mais frequente é o de jovens com ensino médio completo que ganham até dois salários mínimos (R$ 3.242).
Segundo Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV, as apostas colaboram para o endividamento, mas outros fatores têm mais peso. Ele cita educação financeira, oferta de crédito e o cenário macroeconômico.
“As bets têm a sua parcela de culpa, mas não são só elas. Também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja muito importante. É a combinação de diversos fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia”, disse o especialista.
No Brasil, ainda há poucos estudos econômicos e independentes sobre o assunto.
Uma nova pesquisa feita pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, detalha o prejuízo à estabilidade financeira das famílias causado pelas apostas online.
Nos EUA, cada transação eletrônica tem um código de quatro dígitos. Ao isolar os códigos para jogos de azar na internet, os pesquisadores identificaram o dinheiro destinado a 11 grandes plataformas, como FanDuel e DraftKings.
A descoberta mais preocupante é o efeito de substituição. Os dados indicam que cada US$ 1 gasto em apostas leva a uma redução de US$ 1 na poupança e em outros investimentos.
No Brasil, um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável diz que o jogo tem impacto limitado no consumo das famílias. Os gastos com bets representam 0,46% do consumo, valor próximo ao gasto com bebidas alcoólicas, que é de 0,5%.
A entidade reúne alguns dos maiores sites de apostas que atuam no país. O levantamento foi realizado pela consultoria econômica LCA.

