Notícias Edição Nº 31

Messias debate STF e cobra retidão; placar apertado

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, tem consciência de que sua sabatina nesta quarta-feira, 29, não será sobre sua atuação profissional. A conversa com os senadores, segundo ele, vai girar em torno dos rumos do STF. Por isso, Messias já espera um resultado apertado no plenário do Senado.

Messias debate STF e cobra retidão; placar apertado
Foto: messias (1)

Messias será sabatinado pelos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) mais de cinco meses após Lula anunciá-lo como indicado à vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A oficialização do nome ocorreu em 1º de abril, em meio a uma disputa entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que queria a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

É sob o desagravo de Alcolumbre que Messias terá de esclarecer suas posições. O desgaste do governo Lula e o descontentamento do presidente do Senado indicam votações acirradas, tanto na CCJ quanto no plenário.

Aliados de Messias contam com 48 a 52 votos favoráveis no plenário. O relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), estima 44 votos. As estimativas se baseiam em votações recentes: Flávio Dino teve 47 votos a favor e 31 contra em dezembro de 2023; Paulo Gonet, em novembro, obteve 45 votos a favor e 26 contra.

No início de abril, Messias tinha 9 votos favoráveis e 8 contrários na CCJ. Agora conta com 15 votos, dois acima do mínimo de 14 necessários para avançar. Isso se deveu a mudanças na composição do colegiado. Na semana passada, Sergio Moro (PL-PR) foi substituído por Renan Filho (MDB-AL); Cid Gomes (PSB-CE) cedeu lugar a Ana Paula Lobato (PSB-MA), que apoia Messias.

Temas da sabatina

Messias pretende defender que magistrados não estão acima da lei e devem prestar contas. A crise de credibilidade do STF será o tema principal, especialmente por causa das relações de ministros com investigados no escândalo do banco Master. Ministros viajaram em aviões do banqueiro Daniel Vorcaro; Dias Toffoli vendeu cotas de resort a Fabiano Zettel, e Alexandre de Moraes se reunia com Vorcaro, enquanto sua esposa recebeu R$ 80,2 milhões da empresa.

Messias dirá que vê com bons olhos o código de ética defendido pelo presidente do STF, Edson Fachin, lembrando que criou o primeiro código de conduta da AGU em 2023. Ele pretende destacar que não tem parentes advogados – a esposa é psicopedagoga, as irmãs são médicas – e que seu patrimônio é compatível com a vida de funcionário público.

Sobre o caso Master, Messias se esquivará, alegando que, se aprovado, terá de votar no processo. A estratégia vale para outros assuntos sensíveis: ele não quer apontar o dedo para colegas, mas deixar clara sua posição.

Em relação ao aborto, Messias defenderá a legislação atual, que permite a interrupção da gravidez em casos de risco de vida ou estupro. Conectará isso à sua fé evangélica, afirmando que separa crenças pessoais do papel de ministro. Sobre a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNUD), alvo de críticas da oposição, Messias defenderá o órgão como instrumento de defesa da democracia e proteção de crianças no ambiente digital.

O maior empecilho é a resistência de Alcolumbre. Aliados de Messias acreditam que o presidente do Senado usa o indicado para atingir Lula, mas não deve levar a briga à rejeição, pois isso prejudicaria o governo e a candidatura de Alcolumbre à reeleição. Uma rejeição também teria peso histórico: há 132 anos um indicado não é rejeitado pelo Senado.