Notícias Edição Nº 32

GPA tem prejuízo de R$ 252 mi e vê falta de produtos

O Grupo Pão de Açúcar registrou queda de 9,6% na receita líquida no segundo trimestre deste ano, totalizando R$ 4,2 bilhões. O prejuízo líquido consolidado foi de R$ 252 milhões, um aumento de 16,2% na comparação com o mesmo período de 2025. A recuperação extrajudicial da companhia afetou a disponibilidade de produtos nas lojas.

GPA tem prejuízo de R$ 252 mi e vê falta de produtos
Foto: pao de acucar

As vendas totais caíram 7% em relação ao ano anterior. Esse resultado reflete a descontinuação do formato “aliados”, modelo de venda direta para pequenos comércios, e o reequilíbrio das vendas no e-commerce, que passou a focar em canais próprios. Sem considerar o impacto do portfólio de lojas e o efeito calendário, a retração nas vendas foi de 0,8%.

Os problemas de abastecimento, causados pela recuperação extrajudicial anunciada em março, geraram um “aumento temporário dos níveis de ruptura”. Alguns produtos tiveram o fornecimento afetado, o que reduziu as vendas. O impacto foi maior em maio e começou a melhorar em junho, com recuperação gradual dos níveis de abastecimento.

A companhia também citou um cenário de demanda moderada e consumo pressionado, com o orçamento das famílias dividido entre consumo discricionário e não discricionário. As vendas em mesmas lojas caíram 1,2% nas unidades do Pão de Açúcar, influenciadas pela ruptura e pela deflação na mercearia básica. A categoria de perecíveis teve bom desempenho.

No Extra Mercado, as vendas em mesmas lojas cresceram 0,4%, impulsionadas por ações promocionais entre maio e junho. Já nas lojas de proximidade, como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, houve redução de 2,3% nas vendas. Esse segmento, que responde por 12,4% das vendas do grupo, foi o mais afetado pela recuperação.

O e-commerce registrou queda de 16,2% nas vendas, somando R$ 504 milhões, mas a companhia afirma que a operação melhorou a rentabilidade. O Ebitda ajustado foi de R$ 450 milhões, alta de 7,3%.

O plano de recuperação extrajudicial ainda aguarda homologação. Em um cenário pro forma, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, uma redução de 68%. A alavancagem recuaria de 3,9x para 1,3x. O CEO Alexandre Santoro afirma que, com a homologação, o prazo médio das dívidas passaria de 2,1 para 6,4 anos, reduzindo os pagamentos até 2028 de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões.

A nova versão do plano de recuperação tem apoio de 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, 97% dos credores optaram por uma das alternativas de recebimento. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre.

A Ernst & Young aponta que a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre e déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido. A empresa teve R$ 4,39 bilhões em recursos de giro contra R$ 8,5 bilhões em obrigações de curto prazo. Os auditores afirmam que há incerteza quanto à continuidade operacional, mas avaliam que a homologação da reestruturação pode melhorar a liquidez e a sustentabilidade financeira.